Na sexta-feira ao ir à escola, o director da dita (um amigo, ex-presidente do Conselho Executivo em quem votei nos tempos em que os órgãos dirigentes eram eleitos democraticamente pelos professores da respectiva instituição) acompanhou-me numa visita às obras que aí decorrem. Perante a obra já realizada, fica-se sempre admirado pelas perspectivas dos engenheiros e arquitectos envolvidos no empreendimento, gente tão inocente que parece nunca ter frequentado uma escola nem ter a mínima ideia de como as coisas aí funcionam! Mas pelo que vi, uma coisa se me afigura certa para o próximo ano lectivo, os professores irão tornar-se verdadeiros heróis da nova série "Micção Impossível".
sábado, 22 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O António Andrade, não sabendo o que fazer das rolhas de cortiça que tinha vindo a guardar ao longo dos tempos (sempre à espera de um ecoponto onde, além dos vidros, papéis e plásticos, pudesse também aí depositar as tais rolhas), telefonou a um gabinete de apoio ambiental perguntando o que poderia fazer com tanta cortiça. Em resposta aconselharam-no a unir todas a rolhas, construindo uma jangada para se fazer ao mar e assim afastar-se cá do sítio... Talvez assim ainda acabe por descobrir um país novo!
sábado, 11 de julho de 2009
Creio que a maior parte do cinema que se faz por esse mundo fora é fraco. Isto aplica-se quer às longas metragens, quer às médias ou curtas. Por isso admiro a coragem do Micaelo,do Nuno, do Dario e do Miguel para irem triando ao longo do ano milhares de filmes para poderem apresentar algumas dezenas deles durante o Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde que por esta altura acontece. A dificultar-lhes a tarefa acresce o facto das Curtas Metragens serem naturalmente um campo sempre aberto a um cinema de experimentação onde as fraudes são mais frequentes. Agora há um facto que eu lamento e que é a interferência temporal com outra importante realização, a saber, o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. Hoje, por exemplo, tenho que perder, entre outras coisas, um filme do Manuel de Oliveira para poder estar a ouvir música no auditório do Museu Municipal da Póvoa!
Espero que nesta cidade os acontecimentos importantes comecem a ser melhor coordenados entre as suas maiores freguesias, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, para que o deserto diminua!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Sabe-se que hoje em dia, muito mais do que Ser importa Ter. Vem isto a propósito de ver o equívoco de muitos pais que, na ânsia de que os filhos sejam alguma coisa, os sobrecarregam dispersando-os por múltiplas actividades. E lá andam os familiares numa roda viva a levar os miúdos e,depois a ir buscá-los, às lições de inglês ou de espanhol,de piano ou de violino, de ballet clássico ou de danças folclóricas,de ginástica ou de natação sincronizada, à lições disto e daquilo. De facto essas crianças têm imensas actividades, não têm é tempo para serem...
Há dias, em casa de amigos, embora constrangido fui contemplado com a exibição de um petiz rechonchudo a quem os pais o mandaram ir buscar o seu violino para diante de uma pauta arranhar as cordas ante os olhares embebecidos dos familiares. Não havia um buraco por onde me enfiar por isso assisti até ao final dos aplausos parentais. Claro que fiquei um pouco deprimido visto que, como infelizmente tenho o dom de prever o futuro, sei que dali não sairá nenhum artista. O que vale é que nada disto tem importância...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O físico e matemático alemão, Andreas Schleicher (responsável pelo PISA, programa onde a OCDE compara, periodicamente, a eficiência dos sistemas de ensino de mais de cinquenta países), respondeu a uma jornalista brasileira que lhe perguntara porque é que a China e outros países em desenvolvimento estavam á frente do Brasil: "Antes de tudo...são países que decidiram colocar a educação em primeiro lugar. Isso se traduz em medidas...Uma das mais eficazes diz respeito à criação de incentivos para tornar a carreira de professor atraente..."
Ao contrário, cá no sítio, a paixão pela educação tão propalada pelo partido do governo descambou nos enormes ataques à classe docente e na maior desvalorização do seu estatuto profissional e social. A credibilidade e autoridade dos professores foram minadas, com as escolas a tornarem-se um coio de burocratas de onde os melhores profissionais começaram já a debandar. É que, para um profissional do ensino, torna-se dramático assistir à paulatina destruição da escola pública onde tudo é direccionado para a fabricação de um "sucesso" onde a qualidade do saber vai progressivamente baixando, baixando... Aumentaram-se os tempos lectivos para uma duração estúpida onde a capacidade de atenção de jovens irrequietos se dissipa ao fim de alguns instantes. Inventou-se a escola universal mas os alunos já não estão lá para trabalharem mas sim para ali ficarem armazenados horas intermináveis a ganharem bolor e raiva. E claro que quem mais se prejudica com esta situação são os alunos oriundos de meios culturais mais desfavorecidos que chegam à sala de aula sem nenhuma bagagem e de onde partirão com muito pouca. A escola que deveria procurar esbater as desigualdades sociais acaba antes por as aprofundar. Alguns considerarão talvez que isto é inevitável e que, como escreveu o grande Gabriel Garcia Marquez "os pobres hão-de estar sempre tão fodidos que no dia em que a merda tiver valor hão-de nascer sem cu".
Voltando a Andreas Schleider, a dado momento da entrevista anteriormente citada, refere-se ele ao empenho em criar os melhores ambientes para a aprendizagem nos países com melhores resultados, ilustrando-o com um facto vivido: "Durante uma viagem à Coreia do Sul, presenciei uma cena emblemática da preocupação das pessoas com o que se passa na sala de aula. Enquanto os estudantes faziam a prova para o ingresso na universidade, as principais avenidas de Seul ficaram fechada para o tráfego. Quando perguntei ao funcionário do Ministério da Educação a razão daquilo, ele respondeu com naturalidade: estudo exige silêncio. Os motoristas que esperem"... Como estamos longe!
No momento em que os medíocres burossáurios que nos governam se encarniçam na destruição do ensino público secundados pelos sequazes locais, estes últimos talvez a sonharem já com enormes pratos de lentilhas como futuros proventos, convém lembrar que a existência só tem sentido enquanto fenómeno estético e isso passa por nos mantermos de pé. E termino com uma citação de Baptista-Bastos: "Nada nos encaminha para o júbilo. Tudo nos empurra para o desencanto. E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral."
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Olhamos em redor e espantamo-nos! Com tanto sonho como foi possível chegarmos aqui? Numa terra onde só a pobreza cresce, há um banco, um tal BPP, que não está aí para dar uma mão a pessoas em dificuldades ou para ajudar empresas que criem realmente empregos mas apenas para gerir as fortunas da fina elite financeira e no entanto vemos o nosso governo garantir essas fortunas à custa dos nossos impostos. Ouvimos que um presidente de uma câmara vizinha pediu à enfermeira chefe do hospital da Póvoa de Varzim a transcrição da conversa particular de uma colega enfermeira (tecendo críticas a aspectos relacionados com o encerramento de certos serviços hospitalares em Vila do Conde) para poder utilizar tais palavras como arma de arremesso político! Chegou-se ao ponto de incitar à delação (pelo vistos com êxito) sem que os prevaricadores corem de vergonha... Enfim, é normal tudo isto acontecer neste sítio onde se governa tão bem quem tão mal nos governa! E é também gente desta índole que tem vindo a achincalhar os professores, bocarras mentindo acerca do seu desempenho e insultando venenosas quem ao longo dos tempos tem vindo a dar o melhor de si à profissão. Felizmente que os professores no dia 3 de Dezembro souberam dar uma resposta a governantes com tiques fascistas levando a cabo uma das maiores greves de sempre. Não ter participado em tal acção teria sido mesmo um péssimo exemplo para os alunos, perante quem se defende a exigência da pessoa se bater sempre pela sua dignidade para além da solidariedade devida a cada instante a todos os humilhados e ofendidos do planeta.
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