O físico e matemático alemão, Andreas Schleicher (responsável pelo PISA, programa onde a OCDE compara, periodicamente, a eficiência dos sistemas de ensino de mais de cinquenta países), respondeu a uma jornalista brasileira que lhe perguntara porque é que a China e outros países em desenvolvimento estavam á frente do Brasil: "Antes de tudo...são países que decidiram colocar a educação em primeiro lugar. Isso se traduz em medidas...Uma das mais eficazes diz respeito à criação de incentivos para tornar a carreira de professor atraente..."
Ao contrário, cá no sítio, a paixão pela educação tão propalada pelo partido do governo descambou nos enormes ataques à classe docente e na maior desvalorização do seu estatuto profissional e social. A credibilidade e autoridade dos professores foram minadas, com as escolas a tornarem-se um coio de burocratas de onde os melhores profissionais começaram já a debandar. É que, para um profissional do ensino, torna-se dramático assistir à paulatina destruição da escola pública onde tudo é direccionado para a fabricação de um "sucesso" onde a qualidade do saber vai progressivamente baixando, baixando... Aumentaram-se os tempos lectivos para uma duração estúpida onde a capacidade de atenção de jovens irrequietos se dissipa ao fim de alguns instantes. Inventou-se a escola universal mas os alunos já não estão lá para trabalharem mas sim para ali ficarem armazenados horas intermináveis a ganharem bolor e raiva. E claro que quem mais se prejudica com esta situação são os alunos oriundos de meios culturais mais desfavorecidos que chegam à sala de aula sem nenhuma bagagem e de onde partirão com muito pouca. A escola que deveria procurar esbater as desigualdades sociais acaba antes por as aprofundar. Alguns considerarão talvez que isto é inevitável e que, como escreveu o grande Gabriel Garcia Marquez "os pobres hão-de estar sempre tão fodidos que no dia em que a merda tiver valor hão-de nascer sem cu".
Voltando a Andreas Schleider, a dado momento da entrevista anteriormente citada, refere-se ele ao empenho em criar os melhores ambientes para a aprendizagem nos países com melhores resultados, ilustrando-o com um facto vivido: "Durante uma viagem à Coreia do Sul, presenciei uma cena emblemática da preocupação das pessoas com o que se passa na sala de aula. Enquanto os estudantes faziam a prova para o ingresso na universidade, as principais avenidas de Seul ficaram fechada para o tráfego. Quando perguntei ao funcionário do Ministério da Educação a razão daquilo, ele respondeu com naturalidade: estudo exige silêncio. Os motoristas que esperem"... Como estamos longe!
No momento em que os medíocres burossáurios que nos governam se encarniçam na destruição do ensino público secundados pelos sequazes locais, estes últimos talvez a sonharem já com enormes pratos de lentilhas como futuros proventos, convém lembrar que a existência só tem sentido enquanto fenómeno estético e isso passa por nos mantermos de pé. E termino com uma citação de Baptista-Bastos: "Nada nos encaminha para o júbilo. Tudo nos empurra para o desencanto. E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral."
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