A APA, depois de, enquanto blog, ter entrado em coma, arrastando-se de quando em quando por um placard da escola, está de volta, para ser mais uma voz a denunciar todas as medidas que em catadupa se abatem sobre os professores visando apenas a destituição de todo o seu poder e o avanço decidido para a banalização de todo o estudo, para a transformação da aprendizagem em divertimento fútil, para a progressiva infantilização, para a desvalorização do trabalho, para a iliteracia,enfim para a completa imbecilidade. Não param as investidas do ministério dito da educação contra a classe docente, tentando fomentar a divisão no seu seio, processo iniciado com a alteração do Estatuto da Carreira Docente e contra a qual a FENPROF se bateu...Escrevia então o Professor Santana Castilho: "O nosso sistema de ensino é um somatório sem nexo de sucessivas reformas casuísticas, desgarradas, que o tornaram uma fraude".
Na situação actual, quando o ministério pretende avançar sozinho com o seu modelo de "avaliação" - apesar de ter assinado um memorando de entendimento com a Plataforma Sindical dos Professores onde se previa que os Sindicatos estariam presentes, quer no acompanhamento do modelo, quer na comissão paritária destinada a preparar negociações para a rectificação do referido modelo -foi apresentado, pela grande maioria dos professores da Rocha Peixoto, um abaixo assinado endereçado à Senhora Ministra reclamando a suspensão da avaliação,baseada nesse seu modelo disparatado que, como dizia o já citado Professor Santana Castilho no Público de 30 de Outubro, «um coio de incompetentes quer impor aos professores». Efectivamente urge que este modelo de "avaliação" seja firmemente rejeitado pelos professores. A vociferação da Senhora Ministra ameaçando os professores que recusem tal avaliação de não progredirem na carreira (o que só não afectaria aqueles que já não dispõem de espaço nem tempo para qualquer progressão) não amedronta todos os professores (ouço a voz de Fassbinder a murmurar lá longe: "O medo come a alma!") e assim muitas escolas no seu todo já decidiram suspender o actual processo de avaliação, conquanto algumas outras, geridas por elementos mais papistas que o papa, se tenham esmerado na implementação do desgraçado modelo.
Claro que, por mais voltas que o processo dê, este ministério tentará por todos os meios levar avante as suas principais medidas visando obter o "sucesso" administrativo de todos os alunos e, simultaneamente, tecer a rede de malha fina que só deixe progredir na carreira docente um número restrito de professores, obviamente os mais bem comportados, ganhando um corpo docente dócil e barato. Por isso meus amigos, sejamos optimistas e gozemos o dia de hoje. Amanhã há-de ser pior!
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