domingo, 9 de novembro de 2008

A manifestação dos professores do dia 8 de Novembro, que segundo a ministra da Educação lhe merecia apenas um sorriso, teve direito também, da parte da mesma, a alguns insultos soezes. Segundo a senhora, os cento e vinte mil professores que desfilaram pelas ruas de Lisboa não passavam de robertos, manipulados pelas mãos dos políticos da oposição e simultaneamente activistas da intimidação ao governo e aos outros professores. Mentecaptos e chantagistas, eis o que os professores seriam nas palavras lançadas à comunicação social, quer pelo sorriso a escorrer frustrações pelas fissuras da boca da ministra, quer pelo discurso acompanhado de meneios afectados do caixeiro-viajante que para já governa cá o sítio. Enquanto isso, pessoas como Ana Benavente, antiga secretária de Estado da Educação do governo de Guterres, criticando a actual política "profundamente errada" para a Educação, considera que "Nas escolas tudo se tornou mais importante que ensinar". "Se tantos estão na rua, terão as suas razões", comentou também o vice-presidente da Assembleia da República, Manuel Alegre, aconselhando ainda o governo a ouvir a "voz da rua" e mostrando-se particularmente chocado com a ministra da Educação pela sua intervenção reveladora de inflexibilidade e de "pouca cultura democrática" ao referir-se à manifestação como um acto de "intimidação"."Quando uma classe profissional contesta uma política com esta dimensão, não pode um governante dizer que está certo contra o mundo", acrescentou o deputado.
Depois de uma manifestação com tal dimensão, por razões de coerência e de ordem pedagógica, cabe agora aos professores que ainda o não fizeram exigir sem receios e desde já a total suspensão deste modelo de avaliação gerador de balbúrdia nos estabelecimentos de ensino.E a propósito do modo como os professores têm vindo a ser tratados, tendo presente a voz do Povo quando diz que "quem não se sente não é filho de boa gente", reafirmemos nós, professores da Rocha Peixoto, que somos filhos de boas famílias!

Um comentário:

Luzia Sá disse...

Colegas,

Depois das declarações, de ontem, da Sr.ª Ministra da Educação, que respeito enquanto minha superior hierárquica, mas com as quais, enquanto cidadã, e usando dos direitos que Constituição da República Portuguesa me dá, não posso concordar, devemos reflectir, seriamente, acerca do que é a Democracia.


Todos estamos demasiado (e intencionalmente) ocupados, para nos apercebermos da dimensão do perigo que a Democracia está a correr.
Quando votamos, delegamos nos deputados com assento no Parlamento o poder de representação da nossa vontade, da nossa VOZ, portanto, as leis que são emanadas desse órgão soberano, não podem, nem devem ser contrárias a essa mesma VOZ popular.

Quando qualquer órgão que, nos representa, apropria-se desse poder como sendo seu, dizendo que a “LEI é para cumprir”, porque é a LEI, mesmo que se torne evidente não ser reveladora da Voz que a legitima (que é a do Povo) está a ignorar o poder que o Povo lhe concedeu.

Todos nós, enquanto cidadãos, sempre que tal acontece, deveríamos exercer o nosso direito de petição junto da Assembleia da República, junto do Presidente da República, etc., conforme nos é permitido pela Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 52

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Portugal/Sistema_Politico/Constituicao/constituicao_p04.htm

Luzia Sá